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Quando do honroso convite para escrever um pouco sobre “Nossos vinhos”, percebi o quanto os brasileiros deveriam ser entusiasmados. Poucos têm conhecimento dos tesouros existentes em nosso território, com tamanha riqueza natural e cultural que nunca poderá ser expressa apenas através de palavras, mas vou tentar fazer um misto de cultura e paixão.
A vitivinicultura brasileira evoluiu de maneira extraordinária nas duas últimas décadas, e o Brasil produz hoje vinhos de boa qualidade. É preciso, no entanto, que o brasileiro deixe de comparar os nossos vinhos com os estrangeiros. A rigor não se pode comparar vinhos de regiões diferentes, uvas diferentes e tipos de vinificação diferentes, que lhes conferem estilos diferentes. O vinho brasileiro de qualidade tem o seu estilo.
Os brancos são adequados ao nosso clima, frutados, refrescantes, para serem consumidos jovens e já alcançaram um nível de qualidade que ultrapassa muitos vinhos brancos de países de tradição vinícola. Situada nas montanhas do nordeste do estado do Rio Grande do Sul, a região da Serra Gaúcha é a grande estrela da vitivinicultura brasileira, destacando-se vários municípios como Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Garibaldi, entre outros, pelo volume e pela qualidade dos vinhos que produzem. Esta região está próxima das condições geo-climáticas dos melhores vinhedos do mundo, mas as chuvas costumam ser excessivas, exatamente na época que antecede a colheita, período crucial à maturação das uvas.
Por essa razão, os viticultores da Serra Gaúcha são verdadeiros heróis: obstinados, enfrentam adversidades da natureza, extraindo da terra o que de melhor ela pode lhes dar e conseguem, com trabalho árduo e investimentos em tecnologia, produzir vinhos que surpreendem e melhoram em qualidade a cada dia.
Bento Gonçalves aloja grande parte das mais prestigiadas vinícolas do país. O Vale dos Vinhedos situado na parte sul do município é um festival de cores, aromas e sabores para seus visitantes, com vinhedos e cantinas vinícolas, investindo no turismo enogastronômico. Quando falamos de vinhos brasileiros devemos obrigatoriamente sugerir uma visita ao vale dos vinhedos, pois sem dúvida todos sairão de lá embriagados pelo carinho local e poderão reconhecer a dedicação de várias gerações de vitivinicultores à elaboração dos vinhos que encontramos nas nossas adegas. Cada pequeno lote tem sua história, desde o plantio das primeiras cepas pelos colonos a atual modernização do plantio e elaboração dos mais requintados vinhos nacionais. É fácil ser contagiado pela paixão ao vinho dentro de cada vinícola visitada, onde somos convidados a degustar produtos elaborados com muita atenção. Não é possível definir qual o melhor vinho brasileiro, pois acredito que cada um é o melhor dentro de seu contexto. Temos fantásticos espumantes, excelentes varietais tendo como base as cepas merlot e tannat, maravilhosos cortes com composições contendo cabernet sauvignon, merlot e tannat em diversas percentagens e ainda alguns varietais e cortes não tão divulgados contendo Ancellota, Alicante Bouschet, Refosco, Touriga Nacional, Tempranillo, Petit Verdot, Cabernet Franc, Egiodola, Teroldego e outras. Alguns não podem deixar de serem degustados.
Uma imensa lista poderia ser citada aqui, mas fica a sugestão para que todos provem os diversos sabores do Brasil parafraseando Emile Peynaud: “Aos amantes do vinho”.
Vocês são o elo mais importante da corrente. Se há maus vinhos, é porque há maus bebedores.
Cabe ao consumidor desencorajar os produtores de vinhos ruins”.
Emerson Ciorlin
É desnecesário dizer o que a ExpoVinis representa hoje para o mercado brasileiro. Com toda a crise que assola a humanidade segundo os especialistas, não faltaram na feira vinhos das mais diferentes origens, inclusive de produtores muito pequenos, com produção próximas a 500 unidades que podem eventualmente despachar a cada cliente de maneira individual.
Ano da França no Brasil
Se no ano passado o stand da Missão Econômica Francesa, trouxe incentivo a produtores, este ano incentivou a presença de aproximadamente 50 produtores, incluido a presença de vinhos da Alsacea, além de Chardonnays e champagnes da Gardet e Maxime Blin.
A Arc Internacional trouxe taças fabricadas com cristal de quartzo que impressionam tanto pelo design, quanto pela qualidade. Prometo que num próximo post farei uma matéria sobre a linha.
Outro destaque foi a Dufouleur Frères que desde o século XVI, passou de geração a geração os exemplares de Grand Cru, Nuits, Côte Chalonnaise, Chablisien e outros pelas terras de Bourgogne
Enquanto isso pelas terras brasileiras….
Os vinhos brasileiros também marcaram presença na ExpoVinis.
O Instituto brasileiro do vinho prometem mais incentivos para a o setor vitivinícola. O Stand – Vinhos do Brasil, apresentou na feira a campanha – Abra sua cabeça, abra um vinho brasileiro, e pretende exportar esse conceito por terras nunca dantes navegadas.
Um dos destaques vai para Marco Luigi. Provamos a linha Tributo – Elaborado com um corte de Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Passa por barricas de carvalho e ganha complexidade e estrutura, além de persistência.
De outro lado experimentamos da linha Varietal um Cabernet Sauvignon. Toques de frutas vermelhas e notas de madeira dão um toque de um exemplar bem elaborado. Temperatura adequada para o consumo – entre 16 e 29ºC.
Mas nem só de novidades em vinhos noss mercado vive. Os designers “Irmãos Campana”, que dispensam apresentações, sem contar seu inúmeros prêmios, nacionais e internacionais, trouxeram no conceito dos vinhos brasileiros um saca rolhas que remete a cachos de uva e que por sua ousadia, consegue expressar o conceito exato da campanha:

Bem..já já traremos mais informações sobre nossos achados pela feira. Até mais!
